A voz da contracapa,  Bastidores da leitura

Michelle Obama, uma mulher especialmente comum

Vimos o documentário sobre Michelle Obama no Netflix e recordámos o livro «Becoming» que lhe deu origem.  

Orgulho e preconceito

Sempre tive um orgulho enorme pela família Obama e da forma honesta e espírito missionário como conquistaram o poder. Todos recordamos onde estávamos quando aconteceu o ataque das torres gêmeas tal como não somos indiferentes ao discurso de Obama, quando se tornou Presidente. Foi um momento histórico, que marca uma mudança nos desígnios da América e do mundo, trouxe esperança na vida política e no poder.

Apesar desta admiração, achava que seria mais um livro sobre alguém que chegou ao poder e que decide contar os meandros de como é ser primeira-dama. O meu preconceito foi injusto e desajustado.

Uma mulher que olhou além da pele

Ao lermos o livro «Becoming», percebemos que estamos perante uma autobiografia de uma pessoa comum, que teve de lutar para assumir a sua voz, numa América profundamente racista e hipócrita e que provou que tudo está ao alcance de todos. É o caminho da luta, da persistência, da perseverança, que nos define e que permite conquistar o espaço e tempo que merecemos e de como podemos ser agentes transformadores.

Michelle Obama não se demite de criticar a posição que alguns afro-americanos assumiram quando era mais jovem. Em vez de se lamentar e de partir para uma luta violenta, ou como refere «agindo mais à negro», ela seguiu uma direção oposta. Optou por pensar além do seu bairro, «olhar em frente e vencer». Quando lhe impõem obstáculos tal como uma professora de orientação vocacional lhe diz que «não é material para Princeton», Michelle conta como seguiu em frente e conseguiu.

Esta coragem e audácia herdou-a do Pai, não só por ser um trabalhador incansável, como pela forma como lutou contra a esclerose múltipla. Num momento em que a doença o definhava, Michelle recorda «o meu impulso era correr lá para fora e ajudá-lo a voltar para casa, mas lutei contra o meu instinto, sabendo que estaria apenas a feri-lo ainda mais a sua dignidade». É uma referência importante e definitiva para a sua personalidade e para o seu gosto musical assim como o seu tio Dandy. No documentário, percebemos a importância da música como escape para Michelle e como o bater do pé marca o ritmo do seu estado de espírito.

Uma pessoa comum

Percebemos que estamos perante uma mulher comum que se debate com temas de todas as famílias e pessoas comuns:

Destaque na Voz da Contracapa, o livro «Becoming» de Michelle Obama
  • A visão do casamento. Obama e Michelle viveram conceitos diferentes de casamento, um binómio da estabilidade e do efémero. Michelle e Obama queriam «uma parceria que se adequasse a ambos». Fala da tolerância e de respeito e de como reflectiu e sobretudo, construíu os papéis que os membros de um casal podem representar. Não há regras e dicas pré-escritas, diálogo, vontade, respeito e admiração mútua permitem lutar contra obstáculos.

  • A decisão de ter filhos: Michelle tinha sonhos tal como Obama, queriam ter filhos. Conta como ultrapassou as dificuldades de engravidar, como sentiu e ultrapassou o sentimento de fracasso pessoal.
  • O equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar também é focado no livro, comentando as escolhas difíceis que tomou para reservar sempre energia para a vida familiar e como não se anulou, criando o seu espaço e seu papel.

O documentário e o livro

O documentário do Netflix relata a digressão de lançamento do livro, destacando momentos importantes e marcantes dos relatos que Michelle descreve no livro, não dispensando a sua leitura, que facilita a contexto e nos envolve. Tornamo-nos próximos, cúmplices…

Percebe-se a influência e o papel que Michelle Obama conquistou no mundo. A decisão de candidatura à presidência de Barak Obama foi uma decisão conjunta, contudo obrigou Michelle a definir-se, «antes que fosse erradamente definida pelas pessoas». Foram os riscos da exposição pública.

Exposição pública que exige que hoje, aprenda a construir o que é o seu novo normal.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *