2020 Abril,  A voz da contracapa,  Clube de Leitura,  Papa Livros

Manuel Vilas ao quadrado

Nas últimas semanas, participei em dois clubes de leitura e em ambos espalhei o afecto e o valor da memória com o livro «Em tudo havia beleza» de Manuel Vilas.

No espaço de três semanas, apresentei o livro «Em tudo havia beleza» no Clube de Leitura Ler Ler organizado pela Escrever Escrever e no d’ A Biblioterapeuta.

A razão de ter escolhido o livro para ler foi pedido em ambos. Apesar deste livro estar na minha wish list há bastante tempo, com a participação no também Clube de Leitura do Plano Nacional de Leitura, dinamizado via Goodreads, decidi que seria uma excelente oportunidade de o ler em conjunto e acompanhar os comentários e trocar opiniões com outros leitores.

O livro

«Em tudo havia beleza», «Ordesa», título assumido em Espanha, é o primeiro romance a ser publicado pelo autor em Portugal. Foi considerado pelo El Mundo, El País e El Heraldo, como melhor livro do ano.

O livro é um relato autobiográfico do próprio escritor e a sua visão melancólica mas afectiva e ternurenta sobre o envelhecimento e ausência pela morte dos seus pais. Os capítulos lêem-se de um fôlego. Parece que estamos a ouvir um autor, um amigo que nos confessa as dores, as saudades, as alegrias que recorda dos seus pais.

Ao sabor das páginas, questionamo-nos sobre:

  • em que medida somos o espelho dos nossos pais?
  • quais os pequenos gestos, atitudes, hábitos, expressões que adoptamos e só, muitas vezes, com a sua ausência consciencializamo-nos de como somos parecidos.
  • que cor tem a nossa vida? muda com a idade? muda de tom?
  • será que todas as famílias, os casais têm uma linguagem própria? O nosso Eu? Qual a palavra que nos define?

Manuel Vilas lembra elogia o afecto, engrandece a memória e eleva o amor na ausência e solidão. Que não é única do escritor, é um livro que nos oferece a vontade de ouvir os mais-velhos, de estimar a partilha, de prezar as recordações. Um livro que nos leva a perguntar como gostaríamos de ser lembrados?.

Adicionalmente, relembrou-me uma frase que uma vez uma pessoa que estimo muito, do alto da sua sabedoria e vivência, referiu: «dizem que só nos tornamos adultos quando os nossos pais morrem». Num dos clubes, houve alguém que acrescentou: «quando os pais morrem é quando estamos despertos para vida.»

Queremos continuar a ler Manuel Vilas e dia 26 de Maio, é lançado o seu novo «E, de Repente, a Alegria», que é o caminho de coragem de vivência do presente para construção do futuro.

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