Entrevistas do Leitor

Vamos escrever piquenique?

Piquenique pressupõe uma refeição partilhada, em que cada um participa, levando comida e bebida, convidando as pessoas a saírem de casa, a estenderem a toalha (usualmente de quadrados vermelhos e brancos, não é?)…

Acrescento: a gozarem o bom tempo, a brilharem com o Sol, a embalarem ao ritmo da brisa, a diferenciarem os sons do ar quente, a observarem os rasgos da paisagem e a sentirem-se enérgicos na leveza da tarde.

A Bolacha da Partilha
Créditos WordCookies

Piquenique é uma palavra de origem francesa. A própria palavra reúne o simbolismo de “ciscar” pequenas porções… a palavra «pique» vem do verbo piquer em francês, inspirado pelas galinhas que ciscam, picam o «nique», pequenas porções. Foi a união das duas palavras que originou algo tão delicioso como este convívio ao ar livre.

Vivemos tempo estranhos, contudo com a devida segurança, podemos viver essa graciosidade – a criar, a escrever, a ouvir, a partilhar -, gozando o poder da palavra criativa na preguiça da informalidade. Mónica Menezes é a nossa convidada no Dia Internacional dos Piqueniques. Organiza o 1º Piquenique de Escrita, no dia 4 de Julho 2020, nos jardins da Gulbenkian, em Lisboa.

Apresento-vos a Mónica!

Mónica Menezes já foi jornalista e hoje, além de escrever livros, criou a WordCookies, uma empresa de bolachas com mensagens e dá formação de Escrita Criativa, Storytelling, Biografia, Primeiros passos para escrever um livro, Escrita de Ficção, Criação de Personagens e Produção de Conteúdos para LinkedIN. Foi assim que a conheci. Virtualmente e em tempo de pandemia, acompanhei os exercícios de escrita para todas as idades no seu instagram, que consolavam e despertavam a criatividade no peso dos dias de confinamento. Quis mais… e, hoje, leio e sigo a Mónica e repito workshops, oficinas, porque aprendo sempre e sobretudo aprendi a brincar com as palavras numa partilha transparente e genuína. Tal como num piquenique…

Leia o que a Mónica partilhou com o Desculpasparaler:

  • Como surgiu a ideia de organizar o 1º piquenique de escrita criativa?
Vamos Tu e Eu? Mais informações info@monicamenezes.pt

Estou a morrer de saudades de dar formação em formato presencial. Para mim, dar formação não é chegar lá, despejar meia dúzia de coisas e ir embora. Eu gosto do ambiente que se cria. Das amizades que surgem. Dos abraços. Ah, os abraços! Gosto de ouvir as pessoas, de olhar nos olhos, de pegar na mão se for preciso. Sou uma lamechas, eu sei. Assim, no contexto em que vivemos, embora com todo o distanciamento que vamos ter, eu achei que um piquenique era a forma mais próxima e divertida que eu podia arranjar para poder voltar a dar formação presencial. 

  • Quem pode ir ao Piquenique?

Por norma, as minhas formações são para o público adulto, mas, desta vez, acho que não faz sentido. Quero juntar pessoas que gostam de escrever, que não gostam, que gostam da natureza… Pessoas que gostam de rir e de partilhar alegria. Podem ir famílias, claro.

  • Como se liga esta ideia às oficinas que costumas realizar? 

As minhas oficinas de escrita criativa têm por base os cinco sentidos e a certeza de que a inspiração está sempre ao virar da esquina. Ao ar livre, então, aposto que os cinco sentidos estarão ainda mais apurados.

  • Como descobriste o dom e o poder da palavra na escrita criativa? O jornalismo já não preenchia? 

O meu primeiro contacto com a Escrita Criativa foi em 2008, num workshop na Escrever Escrever, com a Conceição Garcia. E aquilo foi um soco bom na minha barriga. Eu tinha sido mãe pela segunda vez há um mês, estava cansada e escrever, ter tempo para escrever, para mim, para me divertir, foi muito especial. Depois nunca mais larguei. Na altura continuei como jornalista. Só há cerca de uns três anos é que senti que já não era mais para mim. E acho que o jornalismo também sentiu isso em relação a mim. Foi um divórcio de mútuo acordo. 

  • Algum dos teus alunos se tornaram escritores?

Tenho três a caminho de publicarem. Mas nem tudo passar por se tornarem escritores. Às vezes, tantas vezes, é só descobrirem algo que os deixa felizes. Isso não é maravilhoso?

  • Já te comoveste com algum texto de alunos? Ou melhor qual foi a emoção mais forte (se é que tiveste…) com texto de aluno/s? 
«(…)as pessoas se sintam livre para escrever sobre o que quiserem, como quiserem

Aahahahaha! Eu sou a Mónica, a mulher que tem sempre a lágrima pronta para saltar. Já chorei muito, muito ao ponto de soluçar. E ri tanto, mas tanto. Não consigo ser de outra forma. Antes de começar com um grupo novo, penso: “vá lá, Mónica, agora vais ser crescida e não te envolveres”. Meia hora depois, já sou eu. E só faz sentido assim. Acredito que também é isto que faz com que as pessoas se sintam livre para escrever sobre o que quiserem, como quiserem. 

  • Achas que existem pessoas que não têm o dom da escrita ou é algo que se trabalha? 

Há, sem sombra de dúvida, pessoas com o dom da escrita, que nasceram com isso. Há outras que não nasceram, mas, à medida que vão trabalhando, isso vai crescendo. Mas seja em que caso for, tem de se trabalhar sempre. Fazer exercício. 

  • Existe algum autor que escreva algo… que gostarias de ter escrito? 

Gostava muito, muito, muito de ter escrito «A Sombra do Vento», do Zafón. Gostava muito de ter escrito vários do Mia Couto. Gostava muito de ter escrito muitos dos livros do MEC (Miguel Esteves Cardoso). Do Gabo. Do Sepúlveda. Da Agatha Christie.

– Livro de cabeceira? ou livro da vida? livro que recomendas a qualquer pessoa que queira aprofundar o dom da escrita? 

Estamos prontos! Encontramo-nos dia 4 de Julho.

Acho que há livros diferentes consoante a nossa idade ou o momento da nossa vida. Livro da cabeceira, neste momento, «Tu és genial, mas ainda não sabes», do Rod Judkins. Mas há uns meses estava o «Mostre o seu trabalho», do Austin Kleon. Livro da vida? Nem sei bem. Mas vá, lembrei-me de um que talvez tenha sido o primeiro que me tenha feito pensar “ah, eu gostava mesmo era de passar a vida a escrever”: «Mulherzinhas», de Louisa May Alcott. Para aprofundar o dom: «Cem maneiras de melhorar a escrita», de Gary Provost. 

Depois disto, penso que ficou cheio de vontade de se juntar a este piquenique dos os cinco sentidos e tenho a certeza que vai descobrir algo novo. Vamos? Para obter mais informações, envie um email para info@monicamenezes.pt.

Espreite os livros da autoria da Mónica:

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