A voz da contracapa,  Bastidores da leitura

A Bula Musical

Falar de Daniela Morais é falar de música. Primeiro com as aulas de piano e hoje com o seu trabalho de musicoterapia, onde uniu duas paixões, a sociologia e a música. Trabalha com pessoas através da música. O seu olhar de socióloga traz a estrutura, a confiança e o saber e a música trabalha o bem-estar e o equilíbrio. Saiba que a musicoterapia é para todos, todos podem ser curados através da música.

  • A Música é sempre vista como algo que nos dá boa energia e pelas suas capacidades terapêuticas. Explica-nos se é assim e o que é isso da Musicoterapia?

A musicoterapia é a utilização da música e dos seus elementos, por um musicoterapeuta qualificado e num processo sistemático de intervenção, para melhorar a qualidade de vida da pessoa. A relação que se estabelece entre a pessoa e o terapeuta é fundamental, na medida em que funciona ela própria como força de mudança.

As sessões de musicoterapia podem ser individuais ou em grupo e vão sempre de encontro às necessidades das pessoas. Nas sessões realizam-se actividades musicais diversas, sempre centradas nas suas necessidades e preferências sonoras, podendo recorrer-se por exemplo a canções, improvisação e instrumentos musicais de simples utilização. Não é preciso ter conhecimentos de música.

  • Quem pode e deve recorrer à Musicoterapia? Ou melhor, quem aconselhas?

Qualquer pessoa pode beneficiar de musicoterapia, pois pode ser aplicada ao longo de todo o ciclo de vida (crianças, jovens, adultos e pessoas idosas) e a diversas patologias. Alguns dos seus benefícios passam pela promoção da atenção e controle de impulsos; redução da ansiedade; diminuição de comportamentos inadequados; promoção da expressão de sentimentos, emoções, interação pessoal; desenvolvimento da fala.

  • Têm dados científicos que comprovem essa recuperação?

A musicoterapia é internacionalmente reconhecida e cada vez mais tem havido investimento em investigação a suportar as melhorias em diversas áreas. 

  • Como surgiu esta ligação à Música e posteriormente, te focasses na musicoterapia?

Desde sempre que a música faz parte da minha vida, muito para além do simples gosto pessoal. Desde pequena que esse gosto me levou a ter aulas de música. Paralelamente sempre gostei de trabalhar com, e para, as pessoas, tendo-me licenciado em Sociologia e trabalhado nessa área, e com ligação à saúde. Destes dois interesses surgiu a interrogação de como seria uni-los de alguma forma e foi nessa busca que surgiu a musicoterapia na minha vida. Se não me identificava com o ser intérprete de música, queria de alguma forma que a música passasse para a minha vida profissional.

A musicoterapia revelou-se como a forma de o fazer e algo que me realiza plenamente.

  • A quem tens dedicado esta actividades?

 Desde que iniciei o mestrado em musicoterapia trabalhei com população muito diversa, desde grávidas, mães adolescentes, crianças com diversas problemáticas, incluindo doenças raras, jovens e adultos com deficiência e/ou multideficiência, pessoas idosas em lar e/ ou centro de dia, também com diversas problemáticas incluindo diferentes níveis de quadros demenciais.

  • Sugeres algum livro/livros para quem quer saber mais sobre o tema

Defining Music Therapy, de Kenneth Bruscia

  • Não resisto a perguntar-te a música da toda a vida e o livro da tua vida

Há várias músicas da minha vida, aliás não consigo encontrar uma única. E de entre vários estilos musicais. Se tivesse que resumir diria que a música independente e de certa forma onde é permitido experimentar de forma mais livre tem sido a minha grande companhia.  Gosto de músicos que explorem limites musicais, (aprendi a gostar de muita música contemporânea precisamente por isso) 

Livros da minha vida – se calhar prefiro falar de autores de que gosto e que me marcaram de alguma forma mais do que propriamente de livros. Por exemplo a «Metamorfose» de Kafka marcou-me na adolescência e levou-me a conhecer o resto do universo de Kafka. Mais recentemente encantei-me pela forma de escrever de José Luis Peixoto, muito por responsabilidade do «Morreste-me» e também por Afonso Cruz. Mas também a certa altura me deixei fascinar por Tolkien e pela sua capacidade de criar todo um mundo e linguagem únicos. Como vez é muito diversa e aberta a conhecer novas e diferentes formas de escrita.

  • Qual o livro/livros que tens na cabeceira?

 Fiel à mescla de gostos que tenho acabei o «Mentes inquietas» um livro sequela de Stranger Things e saltei para o Jalan Jalan de Afonso Cruz (que convida a uma forma diferente de ler livros)

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