Bastidores da leitura

Os bastidores na época das festas

Reler os clássicos com o Netflix

Ai, os clássicos. Quando frequentava o Proficiency no Britishcouncil, a literatura inglesa da qual já era apaixonada, mostrava a sua grandeza e amplitude ao lermos na língua de origem. Fui convidada a ler alguns clássicos, entre os quais se encontrava Daphne du Maurier. A biblioteca cá de casa sempre foi farta em nomes marcantes da história da literatura e dos chamados clássicos, e o título «Rebecca» já circulava entre a cabeceira dos meus pais, as prateleiras da sala e a cama da minha irmã. Na altura, escolhi o «Jamaica Inn» e fiquei com vontade de ler mais desta autora, nascida em 1907, no seio de uma família proeminentemente artística e literária, em Londres. Despertava ainda mais a minha curiosidade, o facto do realizador Alfred Hitchcock do qual também era fã, ter adaptado a cinema duas das suas histórias: «Rebecca» (1938) e «Os Pássaros» (1952). Lembro-me de ver este último como se fosse hoje, mas sei que me neguei a ver «Rebecca», pois, mais uma vez, queria ficar com a memória do livro. Escrito em 1938, só em 1941, numa versão de Alfred Hitchcock, «Rebecca» ganharia protagonismo, venceu dois Óscares estando nomeado para nove categorias.

A escritora Tânia Ganho lembrou-me que tinha estreado uma adaptação no Netflix e confesso que não resisti a “reler” o romance em filme. Aliás, agradavelmente surpreendida por ver Kristin Scott Thomas, umas das minhas actrizes preferidas, ser uma das protagonistas. É um clássico onde os sentimentos no feminino estão espelhados de uma forma magnífica, intemporal e apaixonante. Assim, se percebe como se cria um clássico na literatura.

  • Para quem quer primeiro ver o que o espera, a adaptação disponível no NetFlix faz justiça ao romance de Daphne.
  • No meu caso, vou reler o romance numa edição velhinha dos Livros Do Brasil .

Deixo-vos uma passagem do filme que neste ano atípico, em que muitos foram aqueles que viajaram através dos livros, possam continuar a sonhar e a imaginar mundos, personagens e a viver várias vidas e experiências através das páginas mágicas de um livro.

Ver o filme «Let Them Talk»

Trazemos uma proposta que vimos durante o Natal. O filme «Let Them Talk» disponível na HBO, que conta no papel principal com Merly Streep, que desempenha o papel de uma escritora. O filme conta com interpretações fantásticas e com uma narrativa que revela a vida feita de silêncios, de desconfortos e de esperas. Também me lembrou o livro «Manual de Sobrevivência de um escritor» de João TordoCompanhia das Letras e «Escrever» de Stephen King Bertrand Editora, pois centra-se na questão da fonte de inspiração dos autores e a procura incessante da palavra certa como se de uma travessia se tratasse. Fala do milagre do leitor, quando é tocado pelo escritor. Algures no filme, aborda-se a construção do romance-mistério, o conhecido policial e de como consegue prender o leitor, convidando-o a fazer parte da narrativa para resolução do quebra-cabeças.

Ouvir Maria do Rosário Pedreira à conversa com Bernardo Mendonça

Maria do Rosário Pedreira: “Vivemos tempos sem empatia, pela falta de leitura e excesso de digitalização, o que nos torna menos humanos”

É uma das mais notáveis editoras portuguesas, responsável pelas publicações do grupo Leya. Foi Maria do Rosário Pedreira que descobriu e publicou autores agora consagrados como José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe, João Tordo ou Nuno Camarneiro. Há mais de vinte anos que se dedica a tirar manuscritos das gavetas, ajudando a dar a conhecer o talento literário nacional. Ou como gosta de dizer anda “à procura de agulhas no palheiro”. Por isso chamam-na de “caça-talentos” e há quem a considere uma espécie de José Mourinho da literatura. Não acredita na morte do livro, mas afirma-se desesperançada com as novas gerações. “Aquilo que mais me aparece são livros que parecem guiões escritos por uma geração influenciada pelas novelas más”. Do seu ponto de vista, as séries de ficção vieram substituir a literatura porque é mais fácil ir atrás de uma coisa que não faz pensar. “O confinamento não aumentou leitores. As pessoas quiseram alienar-se com séries.” Leitora experimentada e poetisa premiada, além de letrista e escritora, assume escrever mais quando está triste e que os poemas já a salvaram da solidão e até de uma grande depressão.»

https://expresso.pt/podcasts/a-beleza-das-pequenas-coisas

Viver o espírito de Natal com a série «Dash & Lily» onde os livros têm um papel importante

É tão bom quando somos surpreendidos com ideias e sugestões dos nossos filhos que demonstram como também eles começam a conhecer os nossos gostos! Eu não vejo muita televisão. Por dia, ronda os 60 minutos e estou a exagerar. Durante o fim de semana ou quando posso, recupero séries ou documentários que preciso de ver por questões de trabalho, mas confesso que não sou muito disciplinada.Tenho muita dificuldade em concentrar-me à frente de um ecrã. Confesso que só mesmo a leitura me faz viajar para outros mundos, longe das obrigações. Contudo, na época de Natal, “papo” filmes da época em catadupa! Adoro as luzes, o cheiro, a cor, o ritual do advento… Tudo! Ah!, e estou em contagem decrescente para a sessão do dia de Natal da «Música no Coração» que sei cada fala ao pormenor e não perco por nada. Ora, dizia-vos que a minha pequena M. também anda a ver filmes de Natal em catadupa e sabendo destas duas paixões, Natal e Livros/Livrarias, sugeriu esta série do Netflix, «Dash & Lily» para vermos em conjunto. Não saímos do sofá duas noites a vermos os 8 episódios. A série é uma comédia romântica baseada na série de livros «Dash & Lily’s Book of Dares» dos autores David Levithan e Rachel Cohn e estreou em novembro deste ano. David Levithan é autor premiado de livros infanto-juvenis e best seller do New York Times. O filme «A cada dia», baseado numa obra com o mesmo nome, foi adaptado ao cinema.Voltando à «Dash & Lily» vale bem a pena verem esta comédia, leve e divertida, embebida do espírito de Natal e que vive também no mundo mágico das livrarias! Já é Natal!!!

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